Belo Horizonte recebeu, entre os dias 23 e 26 de setembro, o X Encontro Nacional dos Oficiais de Justiça (ENOJUS MG26). Idealizado pela Associação Federal dos Oficiais de Justiça do Brasil (AFOJEBRA) e realizado pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça de Minas Gerais (SINDOJUS-MG), o evento reuniu profissionais de todas as regiões do país em quatro dias de debates, integração e troca de experiências.
A solenidade de abertura contou com o presidente da AFOJEBRA, Mário Medeiros Neto; com o Diretor Geral do SINDOJUS-MG e vice-presidente da AFOJEBRA Marcelo Lima Goulart; os desembargadores do TJMG Dr. Leopoldo Mameluque, representando a Corregedoria Geral e Dr. André Leite Praça, representando a presidência do tribunal; o ministro do STJ Dr. Afrânio Vilela; o Oficial de Justiça e ex-deputado federal Charlles Thomacelli Evangelista; e o vereador de Belo Horizonte Wagner Ferreira.



Responsável pela palestra de abertura, Afrânio Vilela falou sobre “Inteligência Artificial e Transformação da Justiça”. O ministro destacou as possibilidades proporcionadas pela tecnologia, mas ressaltou que a diligência realizada pelo Oficial de Justiça mantém uma dimensão essencialmente humana, que exige presença e discernimento.
A programação abordou temas diretamente relacionados ao cotidiano e ao futuro da categoria. Lorena Rodrigues Lourenço, Oficiala de Justiça do TJGO, psicóloga e mestre em Psicologia, apresentou estudos sobre saúde mental e os impactos da atividade profissional.


Celina Ribeiro Coelho da Silva, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), discutiu políticas judiciárias e direitos humanos, destacando o potencial transformador dos Oficiais de Justiça quando sua atuação incorpora um olhar para inclusão e para as diferentes realidades sociais.
A Inteligência Artificial voltou ao centro das discussões no painel conduzido por Viviane Ramone Tavares e Rafael Niepce Verona Pimentel, coordenador do Comitê de Inteligência Artificial do TJMG. Rafael ressaltou a importância da atuação presencial da categoria ao afirmar que “os Oficiais de Justiça são o último órgão sensorial do Judiciário”.
A programação contemplou ainda discussões sobre Oficial de Justiça de Inteligência, EPROC, gerenciamento de riscos e boas práticas no Judiciário.


A participação das mulheres também ganhou destaque. Inclusive, elas foram responsáveis por 56% do tempo das palestras . Claudete Pessoa, Elaine Mancilha Santos e Sabrina Rocha conduziram o painel “Liderança Feminina: presença, coragem e justiça”, debatendo representatividade, protagonismo e os desafios enfrentados pelas Oficialas de Justiça.
Claudete Pessoa e Elaine Mancilha também participaram do painel sobre atuação humanizada do Oficial de Justiça nos casos de violência doméstica e familiar, reforçando a dimensão social da profissão.
Durante o encontro, o presidente da AFOJEBRA, Mário Medeiros Neto, ressaltou a importância de mostrar à sociedade e aos poderes públicos que a atuação dos Oficiais de Justiça vai muito além dos atos de comunicação e jamais pode ser resumida apenas a isso, que acontece comumente, mas envolve inúmeras atividades complexas e de risco, que a sociedade precisa conhecer e reconhecer.